segunda-feira, outubro 13, 2014

Médico do Sírio baleado por paciente deixa UTI, diz hospital

médico Anaur Mitre (Foto: Reprodução/ Arquivo pessoal)O urologista Anuar Ibrahim Mitre, de 65 anos, deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio-Libanês, na região central de São Paulo, quase um mês após ter sido baleado por um de seus pacientes. De acordo com o centro-médico o paciente está
consciente, mas continua internado num quarto, sem previsão de alta.

Após atirar no rosto e no braço do especialista, Daniel Edmans Forti, de 52 anos, se matou com um tiro na cabeça. A tentativa de assassinato seguida de suicídio ocorreu em 15 de setembro. Para a Polícia Civil, o atirador quis se vingar do especialista, que o teria deixado impotente após uma operação na uretra em 2012.

Antes do crime, Daniel chegou a denunciar Anuar ao Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) pela cirurgia. O conselho concluiu, no entanto, que não houve erro no procedimento cirúrgico.

Investigadores do 4º Distrito Policial, na Consolação, centro da capital paulista, que investiga o caso, disseram nesta segunda-feira (13) ao G1 que vão procurar ouvir Anuar para concluir o inquérito.

A confirmação de que o urologista deixou a UTI foi confirmada nesta manhã pela assessoria de imprensa do Sírio-Libanês. De acordo com o hospital, boletim médico divulgado na última sexta-feira (10) informa que Anuar “permanece internado, já no quarto, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. O paciente vem apresentando ótima evolução. Ainda não há previsão de alta".

Internado
Segundo o hospital também não há previsão da divulgação de novos boletins médicos sobre o estado de saúde do urologista. Também não foi informado se Anuar terá sequelas. Policiais disseram à equipe de reportagem que havia risco de o especialista ter problemas na visão e no braço. Anuar teve traumatismo crânio encefálico e fratura no braço.

O corpo de Daniel foi enterrado no dia 17 de setembro no Cemitério Israelita do Butantã, Zona Oeste da capital. De família judia, ele morava com a mãe num apartamento na região de Higienópolis.

Daniel começou a se tratar com Anuar em São Paulo em 2012, depois de ter sofrido um acidente de moto no Rio de Janeiro. Ele teve o pulmão perfurado, quebrou a bacia e teve problemas na uretra.

Na capital paulista, o urologista operou o paciente. Mas devido ao procedimento, Daniel começou a sentir dores no corpo e eventualmente usava muletas para caminhar, o que teria agravado seu quadro depressivo. Solteiro e sem filhos, ele também reclamava de impotência sexual.

Em 2013, Daniel, que antes do acidente exercia a função de médico do trabalho, pediu o cancelamento do seu registro profissional no Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj). De acordo com o Conselho, o motivo não foi informado à entidade. Ele teria desistido da profissão por estar se sentindo inválido após a cirurgia.

Daniel Forti (Foto: Reprodução / Cremerj)Daniel Forti (Foto: Reprodução / Cremerj)
Suicídio
No mês passado, Daniel entrou no consultório de Anuar, que fica em frente ao Sírio-Libanês, o xingou, sacou uma arma e atirou duas vezes nele. O médico sobreviveu aos ferimentos. Coincidentemente, ele é vice-diretor e membro do Conselho Consultivo do Instituto de Ensino e Pesquisa do hospital onde está internado.
Após balear Anuar, Daniel pegou o revólver calibre 38 e atirou contra a própria cabeça, morrendo no local.

Para a investigação, o paciente quis mesmo se vingar do médico que o operou. Entre as pessoas que já foram ouvidas pela polícia estão a secretária de Anuar e o irmão de Daniel.

Os policiais ouviram, entre outras coisas, que o paciente ligava insistentemente para o consultório, reclamava do tratamento pós-operatório, tomava remédios controlados contra depressão e pensava em se suicidar.

Dos objetos apreendidos pelos peritos da Superintendência da Polícia Técnico-Científica de São Paulo no consultório onde Daniel atirou em Anuar estão duas armas e uma faca.

Fonte: G1

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