Segundo o MPE, ainda foram constatadas outras irregularidades no Hospital da Criança, como falta de medicamentos, material de limpeza e alimentos, além de falha na higiene e, por consequência, contaminação de bactérias nos pacientes.
O MPE descobriu ainda que o Hospital da Criança não possui aparelho autoclave e que utensílios e equipamentos não estão sendo esterilizados. As incubadoras estão quebradas e quando são usadas superaquecem, colocando em risco a vida dos bebês, que podem sofrer sérias queimaduras e até morrerem.
"O quadro nessa unidade é caótico e ultrapassa qualquer limite de aceitação. Além da falta de higiene, os alarmes dos respiradores não funcionam e as incubadoras estão aquecendo de forma descontrolada", afirmou a promotora de Defesa da Saúde, Glória Mafra. "As crianças correm o risco de serem queimadas até a morte nas incubadoras, e o município de São Luís tem se recusado a cumprir a obrigação legal de assegurar a integridade desses pacientes."
A 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde visitou o Hospital da Criança no último dia 3, e seis mães de bebês que estão internados no local relataram que há falhas em respiradores e outros equipamentos, que não estão avisando quando os pacientes sofrem parada cardíaca.
Jeane Sousa relatou ao MPE que o filho dela, um menino de 45 dias, teve duas paradas cardiorespiratórias e o alarme do equipamento não funcionou. O mesmo ocorreu com a filha de Eudila Froz Silva, mãe de uma menina de três anos que está internada na UCI, no dia 14 de maio. Segundo ela, a filha sofreu uma parada cardiorespiratória e o alarme do equipamento também não disparou.
Contaminação
Franciele Silva também tem uma filha internada na UCI do Hospital da Criança e reclama da falta de higiene do local. Ela contou que os profissionais de enfermagem usam telefone celular dentro da UCI sem desinfeccioná-los e não fazem qualquer controle de contaminação do local. "Minha filha chegou com pneumonia. Aqui, ela já teve uma parada cardíaca e pegou uma bactéria", disse.
O MPE informou que durante a inspeção no hospital flagrou a entrada de dois eletricistas e um funcionário do almoxarifado na UCI sem qualquer controle. "A falta de um espaço adequado para manuseio da medicação e a falta d'água agrava, ainda mais, o risco de infecção hospitalar", disse o MPE.
A situação do lactário é precária. Segundo o MPE, o espaço de higienização e preparações da alimentação das crianças é sujo, tem vazamentos hidráulicos, as paredes estão mofadas e o único basculante de ventilação dá acesso ao banheiro. "A preparação das fórmulas e do leite das crianças menores é feita em um espaço sujo, insalubre e visivelmente perigoso", afirmou a promotora de Justiça.
Desabastecimento
O Hospital da Criança está faltando água e a dispensa não tem materiais de limpeza. Também foi constatada a falta de remédios, incluindo antibióticos, e insumos na farmácia do hospital. Profissionais da farmácia informaram que existem medicamentos que estão faltando há dois meses, o que leva as crianças a terem os tratamentos interrompidos.
Segundo o MPE, uma criança de 12 anos que está com meningite não recebeu o tratamento adequado para combater a doença devido à falta do medicamento Rocefin. A criança foi transferida para o Hospital Juvêncio Matos no último dia 3, após intervenção do MPE. A Promotoria informou que solicitou que seja feita imediatamente a avaliação e revisão das incubadoras e dos respiradores da UCI do hospital.
A promotora disse que solicitou ainda as listas dos medicamentos e dos materiais que estão faltando para cobrar da prefeitura de São Luís a reposição da farmácia e da dispensa do hospital. O MPE informou que já notificou a SMS (Secretaria Municipal de Saúde) para que os problemas sejam resolvidos em até 48h.
O UOL entrou em contato com a prefeitura de São Luís na tarde desta segunda-feira (9), mas até a publicação da reportagem não havia recebido um retorno sobre o posicionamento do município.
Reprodução cidade News Itaú via Uol
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