sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Ousadia de bandidos resulta em invasões a hospitais no RN

A violência que alcança a todos os níveis da sociedade, chegou com "todo gás" a locais que antes não eram alcançados. Dentro de pouco menos de uma semana, quatro unidades de saúde pública no Rio Grande do Norte foram alvo de ações violentas, desde assaltos, passando por uma tentativa de resgate, e chegando a um homicídio. De Mossoró a Natal, tanto pacientes, como médicos e vigilantes que se encontravam nas unidades viveram momentos de terror e medo enquanto marginais agiam transgredindo a lei em pleno local onde o cidadão vai buscar atendimento de saúde. 

As duas ocorrências mais recentes foram registradas entre a tarde da última quarta-feira no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, e a madrugada de ontem, no Hospital Infantil Maria Alice Fernandes, na Zona Norte de Natal. O caso do Walfredo Gurgel foi o mais ousado dentre os quatro crimes cometidos em unidades de saúde. Um trio armado foi ao local para resgatar um apenado do sistema prisional potiguar, que recebia atendimentos no maior hospital do Estado após ter sido atingido por golpes de faca no braço. O grupo conseguiu render o policial militar que dava guarda no local em que o preso estava internado e chegou a agredir e ameaçar de morte o PM. Em uma distração dos bandidos, o policial conseguir avisar outros policiais que estavam fora do hospital e, após cerco, o resgate foi abortado e dois dos três bandidos conseguiram fugir do cerco policial.

Já na madrugada de ontem, o caso foi mais simples, mas igualmente chocante pelo local em que aconteceu. A forma de atuação repete-se: dois homens armados chegam em uma moto e praticam o crime. Desta vez, o alvo foi um dos vigilantes que trabalham no Hospital Infantil Maria Alice Fernandes, no conjunto Parque dos Coqueiros, Zona Norte da capital. O guarda foi rendido e teve sua arma tomada. O diretor da unidade de saúde acredita em premeditação do crime.

"Foi tudo bem planejado. A viatura da PM que estava aqui recebeu um chamado falso e a dupla de criminosos chegou no exato momento em que dois dos três vigilantes fazem a ronda no hospital", conta Wilson Cleto, diretor do hospital Maria Alice. Segundo ele, já foi feito contato com o comando do 4º Batalhão de Polícia Militar, responsável pelo patrulhamento na Zona Norte, e foi acertado que o hospital servirá de ponto-base para uma viatura. "Também fomos aconselhados para que os vigilantes não utilizem mais armas, deixando de ser alvo dos bandidos. Até porque este é o segundo assalto igual que sofremos desde o fim do ano para cá", afirmou Wilson.

De forma semelhante ao acontecido no Maria Alice, o assalto na UPA de Pajuçara, também na Zona Norte de Natal, aconteceu no domingo passado, 29 de janeiro. Parece repetição: dupla de moto chega ao local e rende o vigilante. A única diferença entre os casos foi que no assalto de domingo, além da arma do vigilante, a dupla ainda levou o colete à prova de balas do agente.

O primeiro caso de violência aconteceu no sábado passado (28/1), na "capital do Oeste". Enquanto aguardava sua mãe seratendida na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Alto de São Manoel, o jovem Getúlio Santos Fernandes, de 19 anos, foi atingido por três tiros na cabeça, em plena recepção da UPA. O modus operandi não se diferencia em muita coisa dos seguidos assassinatos ocorridos tanto em Mossoró como na capital potiguar. A dupla armada chegou sem ser vista, executou o jovem e saiu sem ser identificada, em uma bicicleta.

Para o secretário estadual de saúde, Domício Arruda, não há muito o que fazer nestas situações. "Todas as nossas unidades possuem vigilantes contratados pela secretaria. Gostaria de contar com a PM, mas não há efetivo suficiente. Por isso só os chamamos em ações específicas", comenta. O gestor acredita que as ações criminosas devem ser pontuais. 

Fonte: DN

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